Missão privada japonesa para aterrar módulo na Lua declarada um fracasso

A empresa japonesa ispace, que queria fazer do Resilience o primeiro módulo de aterragem japonês e asiático do setor privado a chegar à superfície da Lua, declarou o fracasso da missão.

Lusa /
A Ispace falhou a missão de aterrar na Lua e não tem planos para retomar a alunagem Franck Robichon - EPA

O módulo Resilience iniciou a sequência de aterragem como planeado nas primeiras horas da manhã no Japão, mas o centro de controlo em Terra não conseguiu estabelecer comunicação após esta fase.

“Às 8h00 horas locais (meia-noite em Lisboa) de 6 de junho de 2025, os controladores da missão determinaram que é improvável que a comunicação com o módulo de aterragem seja restabelecida e, por conseguinte, não é possível completar (o penúltimo) Sucesso 9 (etapa)", declarou a empresa num comunicado.

"Foi decidido terminar a missão”, anunciou.

Esta foi a segunda missão lunar da ispace, depois de a primeira da empresa ter terminado com uma aterragem acidentada, o que inspirou o nome "Resilience" dado ao sucessor dessa primeira nave.

A Resilience contém um "rover" com uma pá para recolher sujidade lunar, bem como uma casa vermelha em tamanho de brinquedo de um artista sueco para ser colocada na superfície poeirenta da lua.

Detalhes do falhanço

Lançada em janeiro na Florida, a Resilience entrou em órbita lunar no mês passado. Partilhou uma boleia da SpaceX com o Blue Ghost da Firefly Aerospace, que chegou à Lua mais rapidamente e que se tornou a primeira entidade privada a aterrar com sucesso em março.

Outra empresa norte-americana, a Intuitive Machines, chegou à Lua alguns dias depois da Firefly, mas a nave caiu numa cratera perto do pólo sul da lua e foi declarada inoperável em poucas horas.

A Resilience tinha como alvo a parte superior da lua, um local menos ameaçador do que o fundo sombrio. A equipa do ispace escolheu uma área plana com poucas rochas no Mare Frigoris ou Mar de Frio, uma região longa e estreita cheia de crateras e antigos fluxos de lava que se estende pela camada norte do lado próximo.

Os planos previam que a Resilience de 2,3 metros transmitisse imagens em poucas horas e que o módulo de aterragem baixasse o "rover" à superfície lunar.
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